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Diet, light, zero, isento, fit… o que é isso, afinal?

Os alimentos “dietéticos” (“diet”) são aqueles elaborados para dietas com restrição de nutrientes, ou seja, para consumidores que precisam se privar de comer algo. Por exemplo açúcares, gorduras, proteína ou sódio. Logo, são produtos para fins especiais, formulados especialmente para quem os necessitam.

Ser “diet” não significa que contenha menos calorias, é possível, inclusive, que tenha mais. O fato é que para compensar a ausência de açúcar – ou de gorduras, proteína ou sódio – é preciso modificar a química do produto e contrabalançar de alguma forma aquela ausência. Em tempos de ultraprocessados, imagina a bagunça na formulação e no rótulo…

Temos também os alimentos “light” e “zero”. São alimentos cuja informação nutricional alega que o produto possui uma ou mais propriedades diferenciadas, relativas ao valor energético e ao conteúdo de proteínas, gorduras, carboidratos, fibras alimentares, vitaminas e/ou minerais. É de caráter opcional fazer tais indicações no rótulo, mas quem o fizer deve cumprir os requisitos da legislação.

Nessa categoria entram também os produtos “ricos em”, que podem ser acrescidos de um nutriente ou outro, mas isso não necessariamente significa que são mais saudáveis. Rico em ferro, se você não vai conseguir assimilar aquele ferro, não serve pra nada. Os rótulos não precisam informar essas adições, mas, se informarem, devem estar de acordo com a norma.

Assim, “light” são os alimentos que possuem uma redução de pelo menos 25% de algum nutriente OU de calorias (quando comparado a um alimento tradicional). Por exemplo uma trufa com menos 25% de gordura pode ser considerada “light”. Novamente, isso não significa que essa trufa “light” contém menos calorias que a convencional, apenas que ela, nesse caso, possui menos gorduras. Outra possibilidade é uma trufa conter menos açúcares e ser “light”, mas isso não a torna “diet”. Difícil, né?

Ou seja, o termo “light” não se refere à quantidade de calorias. Podem ser alteradas as quantidades de gorduras, proteínas, sódio, entre outros, por isso a importância de ler dos rótulos, para saber exatamente o que estamos consumindo.

Temos, ainda, os alimentos “zero” (“sem”, “não contém” ou “isento de”), dos quais são suprimidos alguns ingredientes, se comparados à sua formulação tradicional. Isso tudo é legislado, então não são todos os produtos que retiram um nutriente x ou y que podem fazer essa declaração. Para se fazer a alegação de, por exemplo, “zero açúcar”, é preciso que o alimento contenha no máximo 0,5 gramas de açúcar para 100 gramas do produto pronto para o consumo.

E o “fit”? O que significa um alimento ser “fit”? Como não está previsto na legislação do Ministério da Saúde, é usado à revelia, e infelizmente não significa absolutamente nada. É utilizado normalmente por marcas que querem vender seus produtos como mais saudáveis, mas fica difícil de saber se isso é verdade. Eles podem ter menor índice glicêmico, mas não quer dizer que sejam menos calóricos ou mais nutritivos. Muito cuidado aqui: como não há normativa, a classificação “fit” pode ser usada livremente.

Quem está buscando uma alimentação mais saudável deve estar atento a essas questões, para não se ver enrolado na quantidade de informações dos rótulos. A coisa complica quando a necessidade vem de uma doença, quando a pessoa tem diabetes, pressão alta ou problemas de colesterol e NECESSITA fazer a restrição desse ou daquele nutriente. Por isso, mais do que entender a legislação, é preciso confiar no fornecedor – e é preciso que haja transparência da indústria. Ter a orientação de um médico e/ou nutricionista também é fundamental – aquela tecla na qual estamos sempre batendo.

[Foto: Bruno Alencastro]